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A Rota do Cangaço é uma trilha no meio do sertão sergipano, por um dos caminhos que a polícia fez para encontrar e executar Lampião, Maria Bonita e mais 9 cangaceiros do bando do Rei do Cangaço, em 1938.

Informações úteis

Existem duas opções de rota. A que nós fizemos, tem início no Restaurante Cangaço Eco Parque, com 720 metros de trilha pela caatinga (R$35,00, novembro de 2015). Outra opção é a partir do Restaurante Angicos, trilha de 700 metros (R$50,00). São dois caminhos diferentes, que os grupos de policias fizeram para encurralar o bando.

Nós reservamos pessoalmente, no atracadouro da cidade de Piranhas, um dia antes, sem o intermédio de agência de turismo. Não era possível pagar com cartão, somente dinheiro.

Piranhas é uma cidade pequena, à beira do Rio São Francisco, com construções coloniais charmosas e bem preservadas. Existem poucas opções de hospedagem, que vão desde albergues até hotéis de luxo e se concentram no centro histórico, que também tem alguns bares e restaurantes.

Também dá para fazer o passeio a partir de Aracaju (220 Km de distância), com agências de turismo ou por conta própria.

Hospedagem em Piranhas

Piranhas

Piranhas e o Rio São Francisco

Piranhas

Museu do Sertão, em Piranhas

O passeio

Pegamos um catamarã no atracadouro de Piranhas e de lá navegamos pelo Rio São Francisco, que divide os estados de Alagoas e Sergipe, até a cidade de Poço Redondo, onde o barco parou no restaurante Cangaço Eco Parque. A paisagem é linda e é muito legal conhecer o Velho Chico pessoalmente!

Um guia, vestido de cangaceiro, nos recepcionou e deu algumas informações sobre a trilha. É indispensável levar pelo menos duas garrafas pequenas de água por pessoa, e beber aos poucos no caminho. Também recomendamos levar algum tipo de chapéu. O sol, o calor e a secura são intensos!

Rio São Francisco

O Velho Chico!

Restaurante Cangaço Eco Parque

Restaurante Cangaço Eco Parque e seus enormes pés de manga

A trilha é por dentro da caatinga, passando por diversos tipos de cactos e árvores típicas da região. É uma paisagem bem diferente e hostil, que só existe no Brasil e que os cangaceiros conheciam como a palma da mão. Sabiam extrair remédios naturais, água e alimentos, além de conseguirem se esconder sem deixar pistas.

Por todo o caminho, o guia contou a história do cangaço, movimento que ocorreu no nordeste brasileiro, onde bandidos saqueavam fazendas e matavam coronéis, por problemas sociais de desigualdade, fome e abuso de poder das autoridades.

Rota do cangaço

Rota do cangaço

Rota do cangaço

O cangaceiro mais famoso e temido foi Lampião, que entrou para o cangaço para vingar a morte de seu pai. Em 1930, o Governo da Bahia ofereceu uma recompensa de 50 contos de réis a quem entregasse o bandido.

Em julho de 1938, a polícia recebeu informações de onde o bando de Lampião estava escondido, e foi até o local, com vestimentas iguais às dos cangaceiros como disfarce. Conseguiram matar 11 dos 34 cangaceiros que estavam escondidos na fazenda Angicos.

O final da trilha é na Grota do Angico, local onde os cangaceiros foram encontrados e executados. Lá, existe uma lápide com os nomes dos cangaceiros, e outra lápide de um policial que foi morto na operação.

Os policiais pegaram todos os bens dos cangaceiros e cortaram as cabeças no próprio local. O guia disse que as cabeças foram cortadas porque eles tinham que provar as mortes, e não era possível levar os corpos inteiros pela trilha. Maria Bonita e outros dois cangaceiros foram degolados ainda vivos.

Um dos policiais foi morto pois queria que a divisão dos bens dos cangaceiros fosse igual entre todos que participaram da captura. O comandante da operação não concordou, e o matou ali mesmo.

Rota do cangaço

Grota do Angico e as lápides dos cangaceiros

Rota do cangaço

Os nomes dos cangaceiros eram os melhores!

Rota do cangaço

Lápide do policial morto na operação

Rota do cangaço

Rota do cangaço

Depois da trilha, o catamarã demora um pouco para voltar até Piranhas, dando um tempo para os turistas almoçarem no restaurante e tomarem um banho de rio.

A trilha não é difícil, mas o calor a faz ser sofrida. A história é um pouco pesada, mas é muito interessante ver de perto a caatinga e poder ouvir esses fatos por pessoas que vivem na região.

A cidade de Piranhas e a Rota do Cangaço foram uma das melhores surpresas que tivemos durante nossa viagem de 3 meses pelo Brasil, recomendamos muito!

 

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